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Textos sobre temas polêmicos, política, humor e opiniões

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pouco mais sobre o autor.

ok. Vamos lá. Bom, meu nome é Brenno Pires de Oliveira Tardelli, tenho alguns anos, sou voluntário na Defensoria Pública, instituição em que acredito. Por falar em credulidade, confesso ser uma pessoa crédula e às vezes fincada em maniqueísmos, embora eu esteja me controlando. Acredito em situações não muito populares, pelo menos entre pessoas que convivo. Acredito em uma dívida histórica com negros - passamos 400 anos lidando com eles debaixo do chicote, declaramos a abolição e ponto?; no apartheid implícito - pois se eu for no Higienópolis, provavelmente os únicos negros que eu vou encontrar serão os seguranças ou as babás, porque nem vendedor de lá negro o é - ; e no fato de que faculdades públicas, as quais deveriam ser destinadas a quem não tem dinhero, são, na sua grande maioria, ocupadas por pessoas ricas, minoria social, o que me faz acreditar nas cotas em universidades, como chance de aumentar a massa crítica minoritária.

Sou ateu. Não acredito em qualquer entidade religiosa, seja Deus, Espíritos, Alá, Buda ou Iemanjá. Mas como o Brasil é a única real democracia religiosa que conheço, respeito isso e, consequentemente, respeito religiões, desde que não tentem impor seus costumes no Estado Laico. Sou a favor do aborto. Acredito que se os homens parissem o aborto seria facilmente legalizado. O aborto envolve mais do que o discurso "é uma vida. e ponto." - envolve discriminação contra mulheres, influência religiosa e falta de tato social - vai falar pra Dona Chica, moradora da favela e com 7 filhos, que ela é uma criminosa ao procurar uma clínica clandestina. Aborto deveria ser guarnecido pelo SUS, mas sei que o Brasil precisará de mais uns 100 anos, ou mais, para isso acontecer.

Não sou fã da dominação imposta por países mais ricos na cultura de países mais pobres, embora, confesso, de vez em quando eu me renda à imposição. Certas horas simplesmente é inevitável como, por exemplo, ir ao fórum: não dá pra ir sem terno, embora o Brasil seja um país tropícal, baita calorão, tornando esse traje irracional. Por outro lado me irrito em ligar o rádio. Porque eu não acho no rádio uma música da Guatemala? São piores do que a música americana? ou nós fomos acostumados a ouvir o mesmo tipo de música? Essa universalização de ouvidos é péssima para o país. Nosso sonho é ser igual ao costume deles, como se aquilo fosse o ideal. Porque não vejo um filme do Equador? Nós incentivamos tanto países mais ricos, que nos esquecemos de nós mesmos, empobrecendo nosso próprio país. A mesma coisa com outdoor - Porque raios tem uma loja na frente de casa que se chama Universal Boulevard Shopping? . Não que eu não goste de músicas, ou da língua e seja um radical doido. Acho bem animado, mas também acho que devemos valorizar mais o que temos aqui.

Outra coisa que não cai bem nos meus ouvidos é o discurso do medo envolvendo a segurança pública - bandido bom, bandido morto. E quem xinga Direitos Humanos então? nossa! Normamente, quem usa o microfone para impor medidas drásticas contra ladrões de carteiras e bolsas, são os mesmos que roubam milhares de vezes mais que eles. Justiça, nas palavras de um poeta salvadorenho, é como uma serpente: só morde quem não usa sapatos. A audiência do Datena prova o quão arbitrários ainda somos, embora nos revoltemos com José Sarney. É uma hipocrisia. Dá-se a mínima bola pra Constituição, querendo ver essa população excedentária presa a qualquer preço, e se insurge, na maior cara de pau, contra práticas arbitrárias de Hugo Chávez. Já dizia o ditado que a pimenta no dos outros é refresco. Falta respeitar o que gerações passadas sofreram para conseguir. Enquanto isso, cada um tem o político que merece.

2 comentários:

  1. Patrícia Lotufo1 de junho de 2010 12:06

    Breno!
    Que orgulho!
    Depois de algum tempo sem contato fiquei feliz em ver que voc~e continua inteligente, e o que é melhor, usa essa inteligência de forma positiva, parabéns!
    Que sorte a minha ter convivido com você e mais tarde poder dizer com orgulho que fui sua professora!
    Um grande beijo!

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  2. Brenninho, tá bom o texto! Apesar de eu não concordar com a parte do aborto mas enfim, tá ótimo!

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